Sobre


O Tábua de Carne Restaurante deu início às suas atividades no dia 03.11.1990, na cidade de João Pessoa, PB. Tudo começou devido ao fechamento do Paraiban (Banco do Estado da Paraíba) e diante do desemprego das três sócias, surgiu a ideia de abrir um restaurante. Devido à tradição de Picuí-PB (cidade natal dos sócios) em comida regional, mais especificamente na famosa carne de sol, optou-se por um restaurante regional, especializado na culinária nordestina, com destaque para a carne de sol. Após algumas conversas, e uma viagem ao interior de Pernambuco, surgiu a ideia de servir a carne em outro local que não fosse as tradicionais travessas que os outros restaurantes de carne de sol já serviam, surgiu a idéia de servir numa tábua, e assim essa nova forma de servir também influenciaria no nome do restaurante, que se chamaria Tábua de Carne.

No início das atividades os três casais trabalhavam na unidade de João Pessoa e com o apoio dos amigos e qualidade dos produtos vendidos, se tornou um grande sucesso. Em 1991, um dos casais abriu seu próprio restaurante na cidade de Campina Grande, na Av. Manoel Tavares, e em julho de 1992, os outros dois casais se uniram e abriram a primeira filial do Tábua de Carne em Natal (RN), no início da Av. Eng. Roberto Freire.

Com o grande sucesso obtido na cidade de Natal foi aberta uma filial na mesma cidade, localizada na praia de Areia Preta em 1995. A loja de Cidade Jardim não estava mais atendendo à crescente demanda, devido ao seu tamanho e localização. Desta forma, foi encontrada uma casa bem maior, mais à frente, na Av. Eng. Roberto Freire e em 1997 foi inaugurado o novo Tábua de Carne, no bairro de Ponta Negra, local em que está até hoje. Mais tarde, em 2002, a filial de Areia Preta foi fechada e reaberta em um novo ponto na Via Costeira, com uma grande e moderna estrutura, com vista privilegiada para o mar da Praia de Areia Preta e para a Ponta Newton Navarro, local em que se encontra até então.

Em 2005, o Tábua de Carne inovou mais uma vez e lançou seu sistema de rodízio na unidade de Ponta Negra, sem deixar de atender à La Carte. O rodízio era um pedido antigo dos nossos clientes, e até hoje se mantém como uma ótima opção de rodízio farto, variado e com gostinho da culinária nordestina.

O diferencial do restaurante está na farta e saborosa cozinha regional, servida com ótima qualidade e preço acessível, encantando turistas e nordestinos que frequentam suas mesas A carne de sol e a picanha são favoritas entre as carnes assim como o pirão de queijo, nossa receita original, é o acompanhamento mais elogiado e impossível de se encontrar igual. Sem falar das sobremesas típicas como os doces caseiros de frutas regionais e o queijo de coalho assado na brasa, servido com o tradicional mel de rapadura. Outros destaques do cardápio ficam por conta do filé mignon de sol, uma inovação criada no Tábua de Carne, além do cordeiro precoce, da carne de sol na nata e do surubim e do meca, feitos na brasa.

Assim, desde 1990, o Tábua de Carne vem trabalhando com empenho para levar aos seus clientes o melhor da cozinha regional, servindo com excelência, oferecendo boa localização, instalações confortáveis e garantindo um preço acessível, além da qualidade, fartura e sabor dos seus pratos. O objetivo é continuar crescendo, inovando e se superando, para manter a posição de destaque no mercado, já conquistada, como um dos representantes da culinária nordestina mais bem conceituados do país e do mundo.

História da Carne de Sol


Para tentar relatar a história da carne-de-sol em nosso site, tivemos como base o livro “A História da Alimentação no Brasil”, do mais importante pesquisador do folclore e dos costumes populares brasileiros, o norte-rio-grandense, Luís da Câmara Cascudo.

Segundo Cascudo, a carne-seca pela exposição solar é pré-histórica, mas posterior à exposição ao fogo. A primeira carne secou sendo aproximada do fogo e não do calor solar. No Brasil dos primeiros séculos a menção é mínima. Evreux fala que no Maranhão secavam peixes ao sol. A maioria absoluta era ao moquém. Para o folclorista, não parece que a “nossa carne-do-sertão, carne-de-vento, carne-de-sol” habitual nos sertões tenha sido uma influência indígena.

O português possuía a tradição de secar ao sol frutas, notadamente peixes e sequeiros de bacalhau. Do peixe passou às carnes, utilizando a mesma técnica. Nasceria esta na orla do mar, entre pescadores, conservando o pescado para revendê-lo para o interior. O sol do Brasil, que justificaria o processo, não o determinou para os indígenas. Apesar de uma ou outra informação fortuita, o indígena não salgava carnes e peixes para conservá-los. Era condimento raro. O mesmo ocorria na Ásia, África, Polinésia, e Melanésia. Salgar seria elemento do ciclo da agricultura, imposto pela deficiência do cloreto de sódio nos cereais. Assar a carne em cima da fogueira, atravessando-a pela vara; espeto, e o fogo aceso sobre a laje, teria sido, evidentemente o primeiro fogão, cozinha e aquecimento.

A provisão mais vulgar do Brasil é a carne-seca, de sol, de vento ou do sertão, do Ceará, charque, jabá, carne de gado, salgada, exposta ao sol e vento brando, e com alguma duração (*). A forma tradicional portuguesa, além do fumado que se destinava às peças isoladas, em quantidades reduzidas, era a salga com salmoura… dali tragian muitos gaados mortos que salgavam em tinas, informava Fernão Lopes (Crônica de D. João I, 1, CXV).

As mais antigas referências são do século XVII. Constituem uma base normal para a alimentação coletiva em todo o país. Arribando à Bahia, agosto a outubro de 1610, Pyrard de Laval elogiava sem restrições: “É impossível terem-se carnes mais gordas e tenras e de melhor sabor. Verdade é que são os mais belos e os maiores bois do mundo. Salgam as carnes, cortam-nas em pedaços bastante largos, mas pouco espessos, quando muito dois dedos de espessura, se tanto. Quando estão bem salgadas, tiram-nas sem lavar, pondo-as a secar ao sol; quando bem secas, podem conservar-se por muito tempo, sem se estragar, contanto que fiquem secas (…)”.

Martius em 1818, informava: “A carne cortada em tiras estreitas, esfregada com sal e seca ao sol, é um importante artigo de comércio dos portos de São Paulo e Rio Grande do Sul para os portos do Norte, sobretudo para o Rio de Janeiro, Bahia, Pernambuco e Maranhão, onde, com o nome de carne-seca do sertão, paçoca ou carne charqueada constitui uma parte principal da alimentação de todo brasileiro, especialmente os escravos negros”. O Rio Grande do Norte e o Ceará disputaram a iniciativa de industrialização da carne-de-sol no Nordeste quando, sem nome especial, já nos finais do século XVII, iam barcas de Pernambuco aos rios Assu e Mossoró carregar “carne-seca de boi”.

Semelhantemente ocorria no Ceará, ambas as Capitanias com salinas naturais e grande rebanho bovino. Em 1788 o Capitão General de Pernambuco, a quem as capitanias eram subordinadas, permitiu a indústria das carnes unicamente do Aracati para o Norte. O nome de carne-do-ceará popularizou-se. As antigas Oficinas de Mossoró e Assu ficaram como topônimos reveladores da atividade desaparecida no plano de extensão. Claro que essas “Oficinas” e a piauiense de Parnaíba decaíram. Já em 1780, um cearense, José Pinto Martins de família possuidora de fábricas de carne, instalou a sua à margem direita do rio Pelotas, no Rio Grande do Sul, criando a indústria que se desenvolveria. As repetidas secas, dizimando o gado, foram diminuindo a produção cearense enquanto a do Rio Grande do Sul prosperava incessantemente.

Vinha a carne do Sul trazendo a denominação quíchua de charque, dominando o mercado nortista. Mais salgada, mais rija, menos cuidada. O gado era outro assim como os pastos.

Todas as províncias nordestinas produzem carne-de-sol para o consumo local, embora sem satisfazê-lo. É tão indispensável, e talvez mais na simpatia sertaneja, que a própria carne verde, fresca. Servem-na sob as mesmas formas da outra, prestando-se a todas as iguarias e combinações. A típica é assada, comida logo depois de assar, com farofa, coentro verde e cebola, também com o pirão de leite ou feijão verde. Característica nos cozidos e feijoadas. Dá o gosto inconfundível.

(*) A diferença entre a carne de charque do RS e as congêneres do Norte/Nordeste está na quantidade de sal durante a preparação e maior tempo na exposição solar. Dura, evidentemente, muito mais que a carne-do-sertão, de sol, etc., mas o sal lhe dá maior peso e menos digestão para o consumidor.

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